Crônicas e Contos
Textos de Beto Pacheco-
outubro 26th, 2009Crônicaspor Beto Pacheco
Rapaziada, o que é a tecnologia, não é mesmo? Celulares, iPod, notebooks, microondas, tevê a cabo, bluetooth, MSN, miojo… tudo pra facilitar as nossas vidas (ou não). Um amigo meu, veja vocês, que é deficiente visual, fala comigo direto no MSN. Ele tem um software que lê pra ele tudo o que escrevo (e um teclado em braile pra responder). Sem falar no celular dele, que também é uma façanha. A danada – sim, pois a voz do celular é feminina (e ele é cego, mas de bobo não tem nada) é tão esperta que diz pra ele quem está ligando, lê as mensagens, localiza os nomes no menu de contatos, dá dica de receitas e conselhos amorosos.
Mas a tecnologia está tão avançada que não para em softwares que, apenas, soletram nomes e mensagens. Outro dia, fui a um barzinho com amigos e, ao ir embora, ofereci uma carona a um deles. O problema é que o rapaz morava em Foz do Iguaçu e está em Curitiba há pouco tempo. Portanto, não conhece nada da cidade. O que inclui a própria morada. Ahá!, mas é nessas horas que a inventividade humana se sobressai. Ele carregava um celular multi-multi-multimídia que tinha (entre canivete suíço, tevê e forno elétrico) um GPS embutido. Entramos no carro e perguntei:
- Onde você mora?
- Perto do Jardim Botânico.
- Perto onde?
- Calma, vou ligar meu GPS.
Pois é, ele não sabia dizer. Só repetia o mantra: “Escute o GPS, escute o GPS”. Fui seguindo rumo ao Jardim Botânico e o GPS dando as dicas, “Mantenha-se à direita. Em 200 metros, entre à direita”. Maravilha, né não? Seria, se eu não estivesse sobre um viaduto e não tivesse nenhuma entrada nem a 200 metros, nem a 300, nem a 400… fosse à direita ou à esquerda. Achei melhor, então, seguir meu próprio caminho até o Jardim Botânico e deixar a “ajuda” do GPS pra mais tarde, quando estivéssemos perto do ponto final.
Enquanto o GPS falava, “Em 200 metros, entre à direita”, eu virei à esquerda e peguei um atalho. Não devia ter feito isso (ou melhor, devia sim. Caso contrário estava parado em cima do viaduto até agora). O aparelhinho pirou e começou a falar sem parar “Recalculando trajeto. Recalculando trajeto”. Eu já dirigia havia uns cinco minutos em outra rota e o danado do GPS lá, “Recalculando trajeto”. Pensei cá com os meus botões, que não são nada tecnológicos: “Melhor desligar essa porcaria”. Contudo, nem eu nem meu amigo sabíamos como chegar na casa dele – sem contar que o GPS, sem pudor algum, me alertou ao pensar isso: “Se me desligar, irá se arrepender”. Ou seja, estávamos de mãos atadas e acabara de descobrir que o malandro, além de tudo, também lia pensamentos.
Felizmente, de uma hora pra outra, o GPS se restabeleceu e colou os parafusos no lugar: “Siga em frente”. Obedeci. Segui, segui… “Continue em frente”… e eu seguindo, seguindo. “Vire à esquerda”, e eu virei (dessa vez tinha rua). Pronto, conseguimos chegar. Graças à tecnologia e a um atalho, pego após um pequeno erro do aparelhinho. O que, confesso, me preocupou. Afinal, se o GPS foi capaz de errar, como nós fazemos seguidamente, é bem possível que cumprisse a promessa e, em vez de lhes contar essa historinha, eu ainda estivesse perdido (ou pior)… e muito, muito arrependido de não lhe dar ouvidos.
Tags: GPS, Humor, Tecnologia -
outubro 13th, 2009Crônicaspor Beto Pacheco
Vamos falar a verdade: camisinha é um saco (quase que literalmente). Tem coisa mais incômoda e inconveniente do que um pedaço de borracha a envolver o malandro na hora em que ele mais quer se divertir? Não. Definitivamente, não. Você lá, naquele calorão, euforia, rasga roupa daqui, arranca meia dali, sobe, desce, desce, sobe e… freia tudo! “Querido, coloca a camisinha”. Que tristeza. Eu sei, eu sei que é importante, que é uma questão de saúde, de prevenção, de responsabilidade, de contracepção, mas, convenhamos, é muito primitivo.
A camisinha é um treco danado de antigo e decorre, segundo estudiosos, de civilizações anteriores a Cristo (cuja igreja oficial – a qual, dizem, ele pertence – não aprova o preservativo). Puxa vida!, será que não conseguiremos criar – e já faz dois mil anos que vivemos esse martírio – algo mais moderninho do que essa capinha emborrachada? Sei lá, uma vacina, uma pílula, um spray, qualquer coisa. Ou, já que não fomos capazes de avançar tecnologicamente no assunto, que, pelo menos, tentemos facilitar a vida na hora do rala-e-rola.
Eu lembrei, por exemplo, de um mecanismo que poderia inspirar nossos cientistas a bolar uma saída mais rápida e prática na prévia do sexo – aquela maldita e infinita hora em que se coloca a camisinha. Sabe aqueles carros modernos que, ao você entrar e fechar a porta, automaticamente posicionam o cinto de segurança no lugar? Então, imagine uma calça ou bermuda que tenha um badulaque que fique por dentro com a camisinha previamente posicionada. Basta você tirar a calça e, vlupt!, ela automaticamente engata o preservativo na parte que lhe cabe.
Seria fantástico! Você prestes a dar aquela rapidinha – clássica e emocionante – no carro, no elevador, no corredor, atrás de uma moita, ou seja lá onde seu fetiche caiba, e, ao tirar as calças, vlupt!, a camisinha está lá antes mesmo que você possa dizer Pindamonhangaba (sei lá por que escolhi Pindamonhangaba, mas agora já foi). Não resolveria de todo o problema, é fato, que não está só no colocar, mas, também, no horrível ralar de borracha, nhec-nhec-nhec, mas, vá lá, teríamos meio-caminho andado.
Contudo, dois empecilhos precisariam ser resolvidos para que tal engenhoca dê certo. Primeiro, o companheiro dos países-baixos teria que estar em posição de sentido para que o preservativo o vista sem problemas. O alerta viria no manual de instruções, que, obviamente, deveria ser lido previamente. “Peraí, querida, antes de tirar as calças eu preciso ler o manual.” Convenhamos, uma atitude dessas inutilizaria os benefícios da maquininha.
O segundo é criar um chip que fizesse a leitura da situação. Como assim? Explico. Vai que o rapaz, cujas calças carregam o P.A.C.T. (Preservativus Automaticus Colocators Tabajara) está, simplesmente, indo ao banheiro. Chega lá, esquece da ferramenta, abre a braguilha e, vlupt!, és encapado antes mesmo de colocar o líquido pra fora. Deus o livre! Ainda mais se o coitado estiver apertado. É…, tomara que a ciência evolua, caso contrário o negócio é continuarmos com o atual método, tão primitivo quanto essa deturpada mente que vos escreve.
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setembro 11th, 2009Dicas de Música, Vídeos
Pessoal, uma amiga (Marcelle Stähelin) me enviou este vídeo por email. Abaixo está o texto que o acompanha (uma explicação do que aconteceu no dia da filmagem). Leia e depois assista. É emocionante.
“Nos quarenta anos de WOODSTOCK , relembrou-se outro grande momento da música: Hey Jude (The Beatles).
Uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu uma mobilização na Trafalgar Square, em Londres, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: “esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário”. E nada mais foi dito.
Aqueles que foram, acharam que iam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora, microfones, muitos microfones, foram distribuídos… e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!
Todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto.”
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julho 27th, 2009Crônicaspor Beto Pacheco
A verdade está lá fora… mas beeem escondidinha. Lembram que semanas atrás escrevi um texto falando sobre grupos e seres que vivem neste mundo para nos atazanar a vida, cuja única função é nos fazer viver atormentados e que vivem a nos cercar dissimuladamente? Pois eles (seja lá quem forem) voltaram a atacar. Ontem fiquei trabalhando no meu computador até tarde; desliguei-o normalmente, apertando as teclas devidas e respeitando o famoso aviso “aguarde enquanto o seu computador é desligado”.
Ou seja, fui correto, coerente, respeitador das regras, paciente, mas, mesmo assim, eles me pegaram. Acordei hoje, abri meu computador como sempre faço, coloquei o login, a senha… e nada. Ele simplesmente não aceitou. Fiquei tranquilo, “vai ver a Caps Lock tá acionada”, pensei. Que nada. Tentei de novo, e de novo, e de novo, e de novo e… “FILHO DA PUTA!”, gritei e bati com a mão na mesa de raiva. Incrível como uma coisinha de nada dessas, como não conseguir entrar no seu computador, simplesmente o local onde está todo o seu trabalho, os seus arquivos, as suas fotos, os seus pensamentos, ou seja, a sua vida, pode te tirar do sério.
Respira, Beto, respira… Gus-fabra!, Gus-faaabra!, (Pois é, tive que aderir ao mantra do Dr. Buddy Rydell, personagem de Jack Nicholson naquele filme “Tratamento de Choque”, com o Adam Sandler. Muito divertido). Pense, Paulo Roberto, não deve ser nada demais, afinal, é apenas uma máquina, ela não pode te vencer. Vamos de novo… Login… senha… enter… “Sua senha ou login não estão corretos, veja se a tecla Caps Lock não está ativada”. EU JÁ VIIIIIIIII! FILHO DA PUUUUUUUUUUUUUTA! ENTER, ENTER, ENTER, ENTER, LOGIN, SENHA, ENTER, ENTER, ENTER… AHHHHHHHHH!
“Muito bem, quem é o animal superior aqui, hein?” – Decidi mostrar quem manda – “Quem foi que te inventou, sua máquina diabólica? Eu te conheço, você saiu da mente humana e não me vencerá. Eu crio a lógica, eu conserto, eu pesquiso, eu descubro, eu, eu e EEEEEU, entendeu?”… Mas sem sucesso. O computador havia me colocado contra as cordas e era hora de resolver a parada de maneira lógica: com uma luta até a morte. No corner vermelho, pesando… sei lá, 70Kg – claro que é 70Kg, tá pensando o quê? Eu me cuido, viu!? – de calção tricolor e ao som de Eye Of The Tiger: Beto Pacheco (ouve-se o som histérico dos fãs). No canto azul, pesando alguns gramas, vestindo teclas e tela LCD, tendo o mouse como arma principal: oooooooo… Laptop “the butcher” Dell.
Pois eu havia me enganado. Bastou eu ouvir a chamada do locutor para perceber que meus minutos estavam contados. Se eu continuasse, seria como a luta do Adilson “Maguila” Rodrigues contra o Evander Holyfield – o Macunaíma de fala pastosa durou só três socos contra o gringo e foi à lona. Portanto, eu precisava de ajuda profissional. Saquei a minha agenda – que fica no meu celular, outro aparelhinho que se decidisse ficar de birra também acabaria com o meu dia – e liguei para o Alex, um amigo que adestra computadores.
“Alex, socorro!”, fui avisando antes mesmo de dizer alô! “O que foi dessa vez?”, ele mandou do outro lado já sabendo que eu estava sob ataque virtual novamente (como disse, é um complô que me persegue há anos). Contei o ocorrido e ele, pacientemente, foi me dando as coordenadas. Faça isso, depois isso, depois aquilo, agora vai parecer isso, achou?, então clica ali, depois ali e pronto. Fantástico! “Alex, você é quase um Bill Gates, rapaz”, falei. “Vá à merda!”, ele agradeceu. Imagino que ele também trabalhe com teatro.
Agora está tudo beleza. Contudo, estou me preparando para não ser pego de surpresa de novo. Fiz backup, tirei a senha do meu login para entrar direto, coloquei arames farpados em volta da casa, blindei o carro, levei a família, inclusive o meu cachorro, para fazer treinamento de guerrilha e agora mantenho o laptop preso no alto da torre, vigiado por um dragão que cospe fogo. Só assim, minha gente, venceremos esta guerra. Assim e colocando máscaras (principalmente no computador)… afinal, esse tal de vírus tá se espalhando.
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