Crônicas e Contos

Textos de Beto Pacheco
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    outubro 13th, 2009Beto PachecoCrônicas

    por Beto Pacheco

     

    Vamos falar a verdade: camisinha é um saco (quase que literalmente). Tem coisa mais incômoda e inconveniente do que um pedaço de borracha a envolver o malandro na hora em que ele mais quer se divertir? Não. Definitivamente, não. Você lá, naquele calorão, euforia, rasga roupa daqui, arranca meia dali, sobe, desce, desce, sobe e… freia tudo! “Querido, coloca a camisinha”. Que tristeza. Eu sei, eu sei que é importante, que é uma questão de saúde, de prevenção, de responsabilidade, de contracepção, mas, convenhamos, é muito primitivo.

     

    A camisinha é um treco danado de antigo e decorre, segundo estudiosos, de civilizações anteriores a Cristo (cuja igreja oficial – a qual, dizem, ele pertence – não aprova o preservativo). Puxa vida!, será que não conseguiremos criar – e já faz dois mil anos que vivemos esse martírio – algo mais moderninho do que essa capinha emborrachada? Sei lá, uma vacina, uma pílula, um spray, qualquer coisa. Ou, já que não fomos capazes de avançar tecnologicamente no assunto, que, pelo menos, tentemos facilitar a vida na hora do rala-e-rola.

     

    Eu lembrei, por exemplo, de um mecanismo que poderia inspirar nossos cientistas a bolar uma saída mais rápida e prática na prévia do sexo – aquela maldita e infinita hora em que se coloca a camisinha. Sabe aqueles carros modernos que, ao você entrar e fechar a porta, automaticamente posicionam o cinto de segurança no lugar? Então, imagine uma calça ou bermuda que tenha um badulaque que fique por dentro com a camisinha previamente posicionada. Basta você tirar a calça e, vlupt!, ela automaticamente engata o preservativo na parte que lhe cabe.

     

    Seria fantástico! Você prestes a dar aquela rapidinha – clássica e emocionante – no carro, no elevador, no corredor, atrás de uma moita, ou seja lá onde seu fetiche caiba, e, ao tirar as calças, vlupt!, a camisinha está lá antes mesmo que você possa dizer Pindamonhangaba (sei lá por que escolhi Pindamonhangaba, mas agora já foi). Não resolveria de todo o problema, é fato, que não está só no colocar, mas, também, no horrível ralar de borracha, nhec-nhec-nhec, mas, vá lá, teríamos meio-caminho andado.

     

    Contudo, dois empecilhos precisariam ser resolvidos para que tal engenhoca dê certo. Primeiro, o companheiro dos países-baixos teria que estar em posição de sentido para que o preservativo o vista sem problemas. O alerta viria no manual de instruções, que, obviamente, deveria ser lido previamente. “Peraí, querida, antes de tirar as calças eu preciso ler o manual.” Convenhamos, uma atitude dessas inutilizaria os benefícios da maquininha.

     

    O segundo é criar um chip que fizesse a leitura da situação. Como assim? Explico. Vai que o rapaz, cujas calças carregam o P.A.C.T. (Preservativus Automaticus Colocators Tabajara) está, simplesmente, indo ao banheiro. Chega lá, esquece da ferramenta, abre a braguilha e, vlupt!, és encapado antes mesmo de colocar o líquido pra fora. Deus o livre! Ainda mais se o coitado estiver apertado. É…, tomara que a ciência evolua, caso contrário o negócio é continuarmos com o atual método, tão primitivo quanto essa deturpada mente que vos escreve.  

     

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