Crônicas e Contos

Textos de Beto Pacheco
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    fevereiro 4th, 2010Beto PachecoCrônicas

    por Beto Pacheco

    Estava folheando uma revista quando me deparei com o anúncio de uma festa, dessas populares que cidades do interior vira-e-mexe promovem. Era uma festa da uva de não sei onde (Colombo, eu acho). Tem pencas dessas festas por aí. Festa do milho, festa da batata, festa da acelga, festa do pepino, festa da laranja, festa do pêssego e do ovo… um monte.

     

    Todas elas têm mega-shows. Só que são mega-shows sertanejos. Até aí, tudo bem, cada um com seu cada um. Agora, por que é que cargas d’água eles têm de ser todos iguaiszinhos? Sim, pois há um protocolo sertanejístico. Explico. É obrigatório, por exemplo, ser uma dupla sertaneja. Não vale trio, não vale single, não pode quarteto, quiçá banda com nome. É dupla e ponto. E a dupla tem de ser toda planejadinha.

     

    O que faz a primeira-voz, que é quem canta pra valer, é o cara de cabelinho arrepiadinho e roupas moderninhas. O outro toca viola e usa chapéu. É sempre assim: o que usa chapéu tem de tocar viola e ser a segunda-voz. Por quê? Sabe Deus! Tenho uma teoria: para evitar briga. Entendam, não dá pro cara ser a primeira-voz, tocar violão e ainda usar chapéu. Desse jeito não sobra nada pro outro coitadinho. E você bem sabe que inveja é uma desgraça. Ainda mais se for dupla de irmãos. O que acontece sempre.        

     

    E todas as músicas têm de ter – se não tudo, pelo menos algumas partes – morena, loira, cerveja, sertão, laço, cavalo, rodeio, e coração partido. E agora tem uma nova: é obrigatório um dos dois ter nome composto. Zé Fulano e Beltraninho, ou João de Barro e Sabiá, ou então Rio Tocantins e Paraná.

     

    O pior é que o povo engole, gente. Linha de produção. Caramba, se tem uma coisa que não precisamos, necessariamente, gastar para consumir é a música. Ela está no rádio, pode ser baixada no computador, ouvida nos programas de tevê, etc. Além do que, há outra característica: os preços são parelhos. CD é CD e pronto. Não é por que uma música é mais bem produzida, tem mais efeitos, instrumentos que o CD vai custar mais. Portanto, dá para escolher à vontade. Não é como carro que, se você não tem dinheiro, não tem escolha e compra um Uno (tá bom, Uno peguei pesado).

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    outubro 19th, 2009Beto PachecoCrônicas

    por Beto Pacheco

     

    Deve ser assim, não sei, pois não tenho tal talento (aliás, nem sei se tenho algum). Entra no quarto, senta-se à cama, olha para um lado e vê a janela, espia o outro canto e enxerga o violão. Coça a cabeça, pensa, levanta, anda cinco passos, abre o zíper da capa e pega o instrumento. Papel e caneta. Sol? Lá? Dó? Qual será? Normalmente é amor ou pesar. Alguns fogem à forma básica e satirizam, outros criticam, há os que abstraiam, vá lá.

     

    Será que virá primeiro a letra? A meu ver a música é mais fácil, depois é só encaixar. Gosto daqueles que a fazem em forma de crônica (por que será?), mas os poetas também são deslumbrantes. E os franciscos, então, que fazem ambas, juntas, separadas, tudo ao mesmo tempo… ou não. E saberá ele que já é uma obra-prima, assim, logo de cara? Sei não, pois não sei fazer.

     

    Depois de muito rabisco, rasura, borracha, lápis quebrado, papel riscado, acorde daqui, melodia dali, grava, volta, escuta, repete, de novo, guarda, espera um pouquinho, volta a ela, refaz, relê, aquele maior ficaria melhor menor?, com sétima?, aumentada?, diminuta?, ai-ai, está pronta. E aí, guardá-la ou mostrá-la?

     

    Liga para um amigo: – Você tem que ouvir. Ansiedade. Prepara o ambiente, põe o papel à frente, toma o ar e começa. Três, quatro minutos no máximo, e o amigo ali, só ouvindo. Terminado, “E então, o que achou?”. E a resposta: “Fantástica!” Mais gente escuta, mais gente fala, mais gente incentiva e ele acaba tocando em um barzinho, de banquinho e violão.

     

    Lá, no bar, está um homem “do meio”. Acaba gravando-a. É sucesso. Todos cantam, toca na rádio, programa de auditório, entrevistas, release, jornais e revistas. Marca o primeiro show, e o segundo, e o terceiro e passam os anos. E, a cada apresentação, na hora do refrão, todos em uníssono o acompanham. Passam-se os anos e, um dia, lá no meio da platéia, outro músico, acanhado compositor, o observa. Conhece a letra, entoa as notas em comunhão e sorri.

     

    Quando o show acaba, ele volta para casa. Entra no quarto, senta-se à cama, olha para um lado e vê a janela, espia o outro canto e enxerga o violão. Coça a cabeça, pensa, levanta, anda cinco passos, abre o zíper da capa e pega o instrumento.

     

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    setembro 23rd, 2009Beto PachecoNotícias

     

    Pessoal, a agenda está atualizada. Tem banda Cadê Tereza? hoje e sábado, e Beto – no clássico “voz e violão” – na sexta. Horários e endereços na página da Agenda.

     

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    setembro 22nd, 2009Beto PachecoCrônicas, Poesias

    por Beto Pacheco

     

    Agora a pouco, eu estava ouvindo “Feira de Mangaio”. Brejeira e simples como fumo de rolo, arreio e cangalha. Por si só, uma obra que pode representar a música brasileira. Tão direta e certeira que não há quem vá desaprovar. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?

     

    De autoria de Sivuca, ela representa sabores tão nacionais como o de Bolo de milho, broa e cocada. Sua escala é adocicada e provocante como um pé-de-moleque. A harmonia é inesperada como o casamento entre o alecrim e a canela. Mas que dá certo como se fossem almas prometidas. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?

     

    Consigo imaginar o autor matutando, inspirado e iluminado… Mas a moldando sem sofrimento, sem pressa ou pesar. Só tendo que espantar, vez ou outra, aquele moleque que não o deixa trabalhar. O nome do dito era Zé, que saiu correndo pra feira de pássaros. Sabem o que aconteceu? Foi pássaro voando em todo lugar.

     

    O velho compositor, com suas barbas e cabelos alvos, pensou: lá também tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar. E que cidade neste país-de-meu-Deus não tem? Onde se toma uma bicada daquelas com lambu assado e fica-se, deliciado, a olhar para Maria do Joá.

     

    De tudo se encontra nessa feira e nessa música. Foles, baixos e teclas ritmados. Guiados de forma esmerada como se por cabresto de cavalo e rabichola. Um talento nordestino, intuitivo e brasileiro. Como também são farinha, rapadura e graviola. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?

     

    Lembra do pavio de candeeiro e da panela de barro? Pois há de ter lá. Os encontrará no último momento, se precisar. E aquele jovem, talvez Zé, talvez irmão de Joá, receberá o singelo recado: Menino vou me embora, tenho que voltar. Xaxar o meu roçado, que nem boi de carro. Tudo porque a música está a se acabar.

     

    Mas tu, como eu, como Sivuca, como o rapaz ou qualquer outro não há de querer a abandonar. Sua alpargata de arrasto não quer te levar. Só (e ainda diz só!) porque tem um sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar. Um dançar acochado, daqueles que faz suar o corpo e o espírito. Ao lado também está Zefa de Purcina fazendo renda. Mas o que nos prende mesmo é o ronco do fole tocando sem parar.

    (ouça a música no post abaixo)

     

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    setembro 22nd, 2009Beto PachecoCrônicas, Dicas de Música, Poesias

    Imagem de Amostra do You Tube

    Sivuca e Clara Nunes. Composição de Sivuca (”eita sanfoneiro da gota serena!”)

    Leia a crônica/ode a essa música clicando aqui

     

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    setembro 14th, 2009Beto PachecoNotícias

     

    Pessoal, esta semana tem a banda “Cadê Teresa?” 3 vezes (dias, locais e repertórios variados) e mais uma comigo – e o violão a tira-colo. É só escolher:

    Quarta (16/09): “Cadê Teresa?” no Trip Bar (23 horas).

    Sexta (18/09): Beto Pacheco, voz e violão, no Sr. Garibaldi (20 horas). E depois…

    Sexta (18/09): “Cadê Teresa?” no Trip Bar (23 horas)

    Sábado (19/09): “Cadê Teresa?” no Botequim (16 horas)

     

    Confira os endereços em: www.cronicasecontos.2u.blog.br/agenda/

     

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    setembro 11th, 2009Beto PachecoDicas de Música, Vídeos
    Imagem de Amostra do You Tube

    Pessoal, uma amiga (Marcelle Stähelin) me enviou este vídeo por email. Abaixo está o texto que o acompanha (uma explicação do que aconteceu no dia da filmagem). Leia e depois assista. É emocionante.

     

    “Nos quarenta anos de WOODSTOCK , relembrou-se outro grande momento da música: Hey Jude (The Beatles). 
    Uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu uma mobilização na Trafalgar Square, em Londres, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: “esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário”. E nada mais foi dito.
    Aqueles que foram, acharam que iam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora, microfones, muitos microfones, foram distribuídos… e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!
    Todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto.”

     

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    setembro 8th, 2009Beto PachecoNotícias

     

    Amanhã é dia de “Cadê Teresa?” no Trip Bar. Apareçam!

    Mais informações na Agenda Musical.

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    setembro 6th, 2009Beto PachecoNotícias

     

    Pessoal, a AGENDA foi atualizada. Esta semana, temos música quarta, sexta e sábado - basta escolher o dia, o lugar e a hora que lhe convém. Boa semana a todos.

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    agosto 26th, 2009Beto PachecoNotícias

     

    Hoje é dia da banda “Cadê Teresa?” animar o Trip Bar.

    Mais informações na Agenda Musical.

     

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