Crônicas e Contos
Textos de Beto Pacheco-

por Beto Pacheco
Gente, acho bacana termos um mundo melhor, aprendermos, buscarmos novas alternativas, lutarmos por condições melhores de vida, de saúde, de sociedade, educação, diminuirmos as diferenças e tal. Mas todas as lutas, invariavelmente, trazem benefícios, discordâncias e um bando de gente chata a tiracolo. Assim, nada mau em ser feminista, mas, convenhamos, as feministas ferrenhas são um porre. São capazes de fazer xixi em pé só pra equilibrar a briga com os homens. “A última gota é sempre na calcinha”, era só o que me faltava.
Os ecolutadores também são chatos. Tudo é verde, tudo é vida, tudo aquece o planeta, todo progresso é maligno, todos os bichinhos são bonzinhos e o Homem mau. Eu sei que estamos ferrados e que sem a briga deles estaríamos piores, mas isso não muda o fato de eles serem chatos, é só isso que estou querendo dizer. É como naquele filme O Advogado do Diabo: o réu era um crápula, bandido, salafrário e estava sendo acusado de ter matado a própria família. O advogado de defesa (Keanu Reeves) o achincalhou no tribunal perante os jurados e o cara não entendeu nada. Depois ele explicou: “Eu quero que eles te odeiem como pessoa, mas que percebam que o mundo está cheio de gente assim, mas que, nem por isso, essas pessoas são assassinas.” E ele foi absolvido. No fim das contas acho que o cara era culpado, hehe, mas isso não vem ao caso.
Veja bem, voltando ao assunto, eu sou um grande defensor dos direitos das mulheres, do meio ambiente, dos homossexuais, dos negros (pior que nem sei se posso usar essa palavra, se não corro o risco de ser acusado de segregário – mesmo sem querer), das crianças, dos favelados (outra palavrinha que dá dor de cabeça), ou seja lá de quem quer que esteja passando por discriminação, dificuldade, humilhação, etc. Mas alguns exageros me apertam o calo.
Lembro de uma vez que queriam banir as palavras consideradas racistas do português-brasileiro. Usar “neguinha”, por exemplo, não poderia mais. Caramba!, e o que faríamos com as obras de Machado de Assis, com as canções de Gilberto Gil, Dorival e Ary Barroso, com a poesia de Vinícius de Morais, com o teatro de Nélson Rodrigues… Jogaríamos tudo fora? Ou faríamos um concurso público para contratar revisores e intérpretes para substituírem tudo aquilo que, mesmo sendo de nossa cultura – africana até o osso –, fosse considerado racista? O racismo está muito mais no tom do que nas letras.
Resumindo, tudo tem de ser politicamente correto (areado com palha de aço) nos dias de hoje – e nem sempre é por princípios. Explico. Na maioria das vezes, é por questão meramente financeira. Não que esteja errado, já que somos todos – inclusive chineses – capitalistas. Vivemos na onda das responsabilidades. Responsabilidade fiscal, responsabilidade social, responsabilidade ambiental, responsabilidade sustentável e por aí vai. E a empresa tem de adquirir tais responsabilidades, caso contrário não ganha verbas governamentais, não tem descontos nos impostos, perde contratos e mais uma penca de abacaxis (o coletivo tá errado, eu sei, mas isso não vem ao caso) que nem se contam.
Daí vem o Dr. Dráuzio Varela (aquele careca, do Fantástico) e começa a dar um monte de lições. Gosto dele. O problema é que o povo só faz o que ele prega se o Show da Vida mostra e, pior!, enquanto mostra. É só sair do ar a campanh… perdão, a série de reportagens que volta tudo à estaca zero. Exemplo: campanha de doação de órgãos. Foi a série ir ao ar que, em um mês, triplicou o número de doadores na Santa Casa de Curitiba (dados repassados em off para este repórter). Bastou a série sair do ar que, pimba!, os números decaíram novamente. Se tá na moda da “Grobo” o povo embarca; se não…
E para finalizar, a pior de todas: estão descaracterizando personagens históricas para criar uma mentalidade (uma responsabilidade) saudável. Eu sei que precisamos cuidar da saúde. Sou, inclusive, um ferrenho (chatíssimo, diga-se de passagem) combatente do tabagismo e estou tentando me controlar com relação à comida também. Ainda mais agora que tenho um pai operado com 3 pontes de safena em casa. Contudo (e que fique de fora desse debate o chato de galocha, o indivíduo real e que entre na discussão o escritor, que se vale da fantasia), eu vi, hoje, uma cena que me desanimou– um Rei Momo magro. Magro, não, magérrimo. Tudo bem que devemos dar o exemplo e que uma figura pública é vitrine para as demais. Agora, Rei Momo magro não dá, gente. É como Carnaval sem Luma de Oliveira.
Portanto, comei-vos e bebei-vos, foliões. Deixemos, pelo menos na semaninha do Carnaval, as responsabilidades de lado. Afinal, é para isso que ele serve… já que na quarta-feira de cinzas todos estaremos de volta ao dia-a-dia, com seus chatos – tenham eles razão ou não – e seus moinhos de vento.
Tags: Ambientalistas, Ambietalismo, Aquecimento Global, Carnaval, Comportamento, Cotidiano, Dráuzio Varella, Ecologia, Ecologistas, Empresas, Feminismo, Keanu Reeves, Luma de Oliveira, Mundo, O Advogado Do Diabo, Obesidade, Racismo, Rei Momo, Responsabilidade Ambiental, Responsabilidade Fiscal, Responsabilidade Social, Saúde, Sociedade -
janeiro 15th, 2010Crônicaspor Beto Pacheco
Cada vez mais eu creio que uma das condições básicas para se atestar a humanidade de um ser-vivo é o índice de maluquice que ele alcança. É sério, a cada dia o mundo vê aumentar a quantidade de tan-tans que nele habitam. E quando digo tan-tan, é tan-tan mesmo. Pinel. Não que seja coisa só dos dias do hoje, haja vista o Calígula, que nomeou o próprio cavalo para senador. Segundo os historiadores (sempre eles!), o equino tinha direito até a toga na cor púrpura, aposentos de mármore e refeições à base de aveia e leite. E o Haiti naquelas…
O problema, a meu ver, é que a loucura tem se espalhado por todas as classes, cores, credos e perdeu o pudor. Antigamente, ela ficava restringida a imperadores, reis, monarcas, príncipes… essas figuras que, de tanto ter, não sabiam mais o que fazer da vida e ficavam caçando sarna pra se coçar. Agora, não. O troço descambou. Basta colocar uma câmera de tevê num calçadão de qualquer capital brasileira para ver a turba que junta em volta.
É neguinho dançando o Créu, popozuda querendo virar celebridade, artistas dos mais variados “talentos” querendo mostrar seus dotes custe o que custar, outros mandando beijo pra sogra, etc. E não bastassem os populares na realidade, virtualmente a telinha ainda nos brinda com seus reality shows e uma infinidade de camisas-de-força que se superam ano após ano. Pior!, agora existem as paródias dos reality shows – à la Pânico na TV e suas Panicats. Bom, pelo menos umas delícias em carne e osso a loucura nos reserva, senão era o fundo do poço com pá a tiracolo.
Indo mais embaixo ainda na escala da visibilidade da insanidade, e partindo em vertiginosa queda, chegamos aos malucos ocultos. Eles são a última linha antes da piração total – caso este que só se resolve com internamento e quarto acolchoado. Esses malucos não são reis, não são celebridades tresloucadas, muito menos populares que se jogam às ruas em busca de 15 minutos. Estes, ao contrário, são reclusos.
Eles ficam em suas casas e fazem coisas retardadas pelo puro prazer que lhes causam as bizarrices que planejam. Contudo, para o deleite dos expectadores afoitos que não se aguentam e precisam porque precisam chafurdar na desgraça alheia, há a internet. E da internet ninguém escapa. Dúzias de sites, editorias, blogs e portinhas digitais (dê-lhe Youtube), trazem as novidades relacionadas às loucuras pessoais inerentes a essa raça que surpreende cada vez mais por ter conseguido – sendo como é – conquistar o mundo.
No portal G1, da Globo, há uma editoria chamada Planeta Bizarro. Nela o desfile é diário e incessante. Por exemplo: descobri por lá que uma mulher guarda na geladeira, desde 1977, uma bola de neve… isso mesmo que você leu. Um dia, lá em 1977, nevou na terra da dita-cuja. Daí ela teve a brilhante ideia de pegar uma bola de neve e guardar para todo o eterno sempre. Sinceramente, tem coisa mais retardada que isso?! Se sim, me conte, pois vai merecer outra crônica.
E não para por aí. Vejam outras manchetes que encontrei:
Gato é convocado para júri nos Estados Unidos
Jovem inova e faz tatuagem de óculos no rosto
Clube de Los Angeles tem striptease com personagens de ‘Star Wars’
Ladrão é flagrado de lingerie
… sério, eu podia ficar o dia todo relatando, relatando e não ia acabar nunca. Só não o faço porque ia acabar entrando para a lista.
Tags: Comportamento, Humor, Loucura, Mídia, Mundo, Planeta Bizarro, Sociedade -

por Beto Pacheco
Vou-me embora para Tegucigalpa
Lá sou amigo do rei
Ou, se for de mais sorte, dos reis
Pois todos querem ser reis
Sois rei, sois rei, sois rei!
Lá em Tegucigalpa havia aquele que queria mais
E aqueles que não queriam lhe dar mais, mas não queriam menos
Em Tegucigalpa tira-se o rei da cama, ainda de pijamas
E coloca-se outro no trono, sob as barbas de todos
Sois rei, sois rei, sois rei!
Lá, como outrora, exila-se
Dissolvem-se direitos constitucionais
Decreta-se toque de recolher
Cercam-se embaixadas
Proíbem-se entradas
De um lado os que comandam, à força
De outro, os que queriam seguir a comandar
Os vermelhos a reivindicar
Os azuis a criticar
Sois rei, sois rei, sois rei!
Em Tegucigalpa não há democracia
Nem agora, nem antes
Em Tegucigalpa, ser amigo do rei lhe obriga a optar
Por um lado, ou por outro
E qual o certo?
Sois rei, sois rei, sois rei!
Vou-me embora pra Tegucigalpa
Pois a passagem deve estar barata
Quiçá a Gol tenha uma promoção
E, convenhamos, promoção não se joga fora
Mas, pensando bem, por que ir a Tegucigalpa?
Mesmo com passagem barata
Mesmo com consulado ou embaixada
Mesmo de pijama ou alpargata
Mesmo sendo amigo do(s) rei(s)… Sois rei(s)!
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setembro 11th, 2009Dicas de Música, Vídeos
Pessoal, uma amiga (Marcelle Stähelin) me enviou este vídeo por email. Abaixo está o texto que o acompanha (uma explicação do que aconteceu no dia da filmagem). Leia e depois assista. É emocionante.
“Nos quarenta anos de WOODSTOCK , relembrou-se outro grande momento da música: Hey Jude (The Beatles).
Uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu uma mobilização na Trafalgar Square, em Londres, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: “esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário”. E nada mais foi dito.
Aqueles que foram, acharam que iam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora, microfones, muitos microfones, foram distribuídos… e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!
Todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto.”
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setembro 10th, 2009Crônicaspor Beto Pacheco
- Sabe o Pedro, o Grande?
- O Pedrão?
- Não, tô falando do tzar…
- Não sabia que era esse o apelido dele. Por que tzar?
- Tzar não é apelido.
- Ah ta, se você diz…
- Você sabe o que é um tzar?
- Claro que sei…
- Então diz aí o que é.
- Se você não sabe não sou eu que vou ficar ensinando.
- Tzar era o título conferido ao imperador da Rússia. Um monarca. Aliás, vários monarcas tinham codinomes.
- Tipo?
- O Alexandre da Macedônia, por exemplo, também era chamado de O Grande.
- E ele pagou royalties para o Pedro?
- Claro que não, até porque ele é anterior ao Pedro.
- Entendo.
- Mas tem uns que são engraçados…
- Uns o quê?
- Codinomes.
- Por exemplo?
- Tinha o Átila, o Huno.
- Grandes coisas, eu tinha um fusca chamado Galeano.
- Idiota…
- O fusca ou o uno?
- Deixa pra lá…
- Quem mais tinha, conta aí.
- Bom, na Inglaterra, que é terra de reis há séculos, apareceram vários. Muitos se chamavam “Grande” também, mas havia espaço para outros…
- Conta…
- Ah, tinha o Eduardo, o Velho; outros que se chamavam O Glorioso; O Justo, O Conquistador… esses, ao meu ver, se autointitularam.
- Captei. Quer dizer que alguns foram intitulados depois?
- Óbvio.
- E como se sabe quem se autointitulou e quem foi intitulado.
- Pelo título, oras!
- Explique-se melhor…
- Os outros eram: O De Joelhos Fracos; O Despreparado; O Mártir; O Breve…
- É, com certeza eles não iam se autoproclamar dessa forma.
- Não. Assim como alguns franceses.
- Bom, problema seu, cada um come aquilo que lhe convém…
- Não, idiota!, o que quero dizer é que os reis franceses também tinhas seus apelidos curiosos.
- Ah bom!
- Tinha O Calvo, O Gago, O Gordo, O Jovem, O Alto, O Comprido, O Caolho…
- Pelo visto, francês tem problemas com a aparência.
- Pois é. Já em Portugal, tivemos Dona Maria I, a Louca.
- Louca mesmo? Tipo o Louco da Turma da Mônica?
- Muito mais louca. Dizem que, quando as tropas de Napoleão estavam para invadir Portugal, ela precisou ser embarcada à força no momento da fuga, pois acreditava estar indo para o inferno.
- E para aonde estavam fugindo?
- Para o Brasil.
- Hehe, vai ver que de louca ela tinha pouca coisa.
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setembro 8th, 2009Artigospor Beto Pacheco
– Para quem nos reportamos?
– Jesus!
Esse diálogo aconteceu, via rádio, entre dois batalhões do Corpo de Bombeiros de Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, em meio a cinzas, fumaça, fuligem, destroços e fogo que se espalhavam por quarteirões após a queda da torre sul do World Trade Center.
São palavras que só não me passaram despercebidas, tamanho desespero que se viu naquele momento, graças à concentração com que assisti ao documentário em que elas aparecem. O surpreendente “102 minutos que mudaram o mundo” (veja a chamada no post abaixo). Concentração que não foi proposital, mas, sim, instigada pela forma como o filme foi produzido. Só assim para se assimilar e digerir tudo que é mostrado. Muito já se apresentou, falou e escreveu sobre aquele fatídico evento; porém, fazia tempo que uma película (seja de ficção ou não) me deixava tão tenso.
Todo mundo está careca de saber o que aconteceu, mas esse documentário mostra de maneira diferente. A história é contada apenas com a edição (recorte-e-cole, sem nenhum efeito ou coisa parecida) de mais de 100 vídeos amadores. Não há locução, nem música, nem depoimentos posteriores. É, simplesmente (se é que devo usar essa palavra), um apanhado de imagens feitas naqueles 102 minutos – do primeiro impacto à queda da segunda torre – por pessoas comuns, que viveram, literalmente, na pele os horrores do atentado.
O filme começa com uma tela preta e o start de um relógio, registrando, centésimo a centésimo, o passar do tempo. Ou seja, o documentário é em tempo real. Para se ter uma ideia, às 10h15 daquele dia, um dos “cinegrafistas” mostra o horário, escrito à caneta num pedaço de papel, em frente à câmera enquanto filma os prédios em chamas – momento este que aparece pontualmente no documentário.
É uma narrativa simples, e por isso genial, costurada pelo roteiro e seleção dos vídeos. Vi poucas vezes algo tão cru, real, direto, transparente e verdadeiro. Inclusive, há avisos frequentes ao logo do filme de que cenas impactantes aparecerão. Os corpos caindo, os gritos, o choro, o medo, a falta de orientação, a ignorância (no sentido de não se saber o que estava acontecendo), a incredulidade e até os cheiros estavam lá… algo que me chamou a atenção, pois nunca paramos para pensar nos cheiros que as pessoas sentiram.
A curiosidade de todos se torna pânico no exato momento em que o 2º avião despedaça-se contra a torre norte – “É um ataque terrorista”, diz o homem que está atrás de uma das câmeras que captaram parte das imagens que montam o documentário. Mas nem todos sabem disso, pois estão dentro dos prédios – que ainda não caíram – apenas imaginando o que se passa. Pior: ninguém, em nenhum momento, sequer menciona uma possível queda das torres. Uma previsão impossível e, portanto, determinante para a morte de muitos bombeiros e policiais.
“Estamos no 78º andar da torre sul e achamos dois focos de incêndio, mandem uma equipe para cá”, solicita por rádio um bombeiro. “Eu estou dois andares abaixo de você… as paredes neste andar estão rachadas”, responde outro. “Aqui também estão rachadas”, comenta um terceiro. E eu, oito anos depois, assistindo a esse terror todo na tranquilidade da minha sala, de boca aberta – igual a centenas de pessoas cujos rostos vejo na tevê, que também estavam de boca aberta, só que presenciando a tudo in loco. Sem mencionar a gravação das chamadas telefônicas (somente a voz dos telefonistas aparece; talvez por serem muito chocantes os pedidos de socorro…) de pessoas que estavam presas dentro das Torres Gêmeas.
Em determinado momento, um dos líderes dos bombeiros, que está no local, pergunta (sempre via rádio) à central de operações quantas equipes entraram nas torres… e a mulher que responde ao chamado não pára mais de citar número e siglas de batalhões. Lista essa que não está numa mera reportagem ou artigo frio e posterior (como este), escrito por alguém que nem sonha o terror que foi aquilo. Era, sim, a voz de alguém que estava lá, no instante exato, e que, talvez, nem tenha sobrevivido – a não ser nos arquivos de uma filmadora caseira.
Serviço:
102 MINUTOS QUE MUDARAM O MUNDO
Apresentação: The History Channel (canal 82 da Net)
Dias e horários das próximas exibições (no THC): terça, 08/09 (06:00 e 13:00); sexta, 11/09 (22:00); sábado, 12/09 (06:00 e 13:00)
P.S.: O site www.history.com trás um mapa em 3D com a localização exata de onde se encontravam as pessoas (10 vídeos de 9 testemunhas) cujas imagens serviram de base para a construção do documentário. Você pode clicar em cima e assistir a cada vídeo separadamente. É só clicar aqui: mapa 3d
Tags: 3D, Cinema, Crítica, Documentários, Filme, Mundo, Vídeos, Violência -

Chamada do documentário apresentado pelo The History Channel (canal 82 da Net) que traz imagens e depoimentos inéditos sobre os atentados de 11 de setembro (para ler o artigo sobre este filme, clique aqui).
Tags: Documentários, História, Jornalismo, Mundo, Reportagem, Vídeos, Violência -

por Beto Pacheco
“Se na hora “h” o elevador parar no vigésimo quinto andar e der aquele enguiço – sempre vai haver uma escada de serviço” (Zeca Baleiro). E isso me incomoda muito. Não, não o fato de ter uma escapatória para o apuro… isso é bom. O que me incomoda é o fato da dita escada ser “de serviço”… usada pelos serviçais, sabe? Por que temos que ter alguém a nos servir sempre? Por que alguém a limpar nossa casa, recolher nosso lixo, repor os estoques, guardar os carrinhos de supermercados largados no estacionamento, atender a nossa mesa…
Compartilho da vergonha, por assim dizer, do Luís Fernando – o Veríssimo. Ele escreveu certa feita que o garçom era uma figura que o incomodava. Um incômodo acometido pela vergonha de ser servido por alguém. Alguém que deveria ser igual, visto de forma igual. Uma pessoa que tem o sangue da mesma cor e a alma moldada no mesmo barro que todo mundo. O rapaz que nos traz o cardápio está o tempo todo, mesmo que não saiba, nos dando na cara: “O que vai querer, senhor?”; “Mais alguma coisa, senhor?”; “Em que posso ajudá-lo, senhor?”. É tanto “senhor” pra cá, “senhor” pra lá, que quase vomito. Só não o faço porque quem vai acabar limpando é outra pessoa. Não o quero a me servir. Gostaria que estivesse sentado ao meu lado e cada um dando conta das próprias vontades.
Gostaria que – uma semaninha que fosse – os lixeiros parassem de recolher as cacas, porcarias, restos, cascas, cinzas, etc., que produzimos às toneladas diariamente. O desespero seria tão grande que pagaríamos salários maiores que os dos deputados a eles – e olha que as “excelências” do Planalto produzem mais lixo com a língua, canetadas e atitudes escusas que nossa vã filosofia pode sonhar.
Às vezes me pego num dilema. Tempos atrás, eu devolvia o carrinho do supermercado ao seu devido lugar porque ficava com pena daqueles que trabalhavam recolhendo-os (o sentimento da “pena” é algo difícil de administrar e entender, pois nos coloca em xeque com nossos preconceitos). Contudo, pensei: e se eles perderem o emprego porque todos guardam os carrinhos no lugar deles? Essa coisa do “ter um emprego” é tão importante em nossa sociedade que não paramos para analisar de que tipo de emprego estamos falando. “Ah, Beto, mas assim você está sendo preconceituoso. Emprego é emprego, ué!” Pode ser, concordo, mas você gostaria de recolher carrinhos de supermercado dia após dia, debaixo de sol, chuva, frio, para ganhar minguados trocados no fim do mês?
Um amigo disse certa vez: “O Brasil é o País das oportunidades. Falar o quê de um lugar onde uma banda de pagode, cujo vocalista tem a língua presa, vende milhões?”. Isso lá é verdade, mas acho que o Brasil é o País do mau-gosto, isso sim. Pior, o País em que a mídia vende uma idéia (e nem precisa gastar tanto com propaganda) e todo mundo compra. E compra porque é uma nação sem estudo, que trata a cultura como supérfluo e que não dá oportunidades suficientes a um batalhão de desempregados que precisam, assim, render-se ao subemprego, ou virar-se de forma autônoma. E dê-lhe camelô e gente vendendo bugiganga nos semáforos.
Também me sinto mal, sou capaz de fechar os olhos – pois, dizem, o que os olhos não vêem o coração não sente -, quando vejo na rua pessoas que servem de placa. Sabe como é? Veste-se a placa pela cabeça, uma parte fica na parte frontal do tronco e a outra nas costas. Outro dia, vi um menino, com seus 15 anos, com uma dessas indicando a entrada de um estacionamento. Outro pobre-coitado é o “Banana-de-pijamas”. Praia, 40°, e o Banana carregando algodões-doces. Sempre é algodão-doce. Será que faria diferença se permitissem que ele, como em outros tempos, simplesmente, vende-se algodão doce? Sem precisar se fantasiar e derreter debaixo daquela roupa ridícula. Mas estamos no tempo do marketing e é preciso chamar a atenção para ganhar a clientela. Pior é ter que fazer isso até para vender algodão-doce. O que não se faz para manter, pelo menos, o metabolismo basal funcionando, não é mesmo?
Tags: Mundo, Sociedade, Trabalho -
agosto 11th, 2009Mundo Bizarropor Beto Pacheco
(Notícias: G1.com.br)
Americano mantém dois crocodilos como animais de estimação
… mas são castrados e mancinhos
Porcos disputam corrida durante festival na Indonésia
Em quadro edições do Mundo Bizarro, quatro corridas de porcos (sem contar a corrida que tem em Medianeira – cujo Loko comentou dias atrás). Começo a achar essa parada não tão bizarra…
Noiva alemã passa noite de núpcias com caixa de vodca
A mulher é vidente, rapaziada…
Americano vai assistir a julgamento, mas é condenado porque bocejou no tribunal
Tá com sono, Zero-Dois?! Pede pra sair, Zero-Dois!
Psicólogo australiano tem registro suspenso por fazer sexo com esposa
A esposa foi paciente do cara e ele tinha de esperar dois anos da última consulta pra poder… Fala sério!
Finlandês conquista título mundial de sauna
A temperatura da sauna era de 110ºC e ele ficou mais de três minutos torrando. Melhor: o cara já tinha sido campeão dessa… babaquice… em 2003, 2005, 2006 e 2007.
Indianos celebram casamento de casal de burros
Alguns dizem que para se casar, só sendo burro mesmo. Não me culpem por essa, é o que dizem…
Em busca de recorde, cidade australiana faz corrente com 163 km de sutiãs
Ah, os seres humanos e seus recordes maravilhosos!
Garrafa de vinho de R$ 36 mil roubada de loja é devolvida intacta
O cara não gostou da safra.
Resort faz promoção, mas hóspede não recebe cama, nem mesmo papel higiênico
É um resort de barracas… muito inovador
Homem é preso depois de tentar assaltar o mesmo banco duas vezes em um dia
E lá vai o Einstein rolar no caixão de novo…
Americano de 26 anos é preso por latir para cão policial
O cão ficou sob duas patas e disse “Você tem o direito de ficar calado, tudo o que latir poderá ser usado contra você no tribunal…”
Papagaia supera humanos em competição de investimento em bolsa
Depois não sabem por que da crise mundial…
Afegão é flagrado carregando cinco pessoas em moto
… e é contratado pelo Cirque Du Soleil
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Tags: Comportamento, Mundo, Sociedade -
agosto 5th, 2009Outros autores“[...] Para completar, a gripe tem um ar alienígeno ameaçador, ressoando seu discreto toque de histeria diante da sombra de alguma tragédia que não se vê. Para o leigo, parece que há uma desproporção entre o fato e as medidas tomadas, o que aumenta a especulação e as teorias conspiratórias. Ponha-se o frio curitibano, mais a chuva teimosa e um fim de férias que não terminam – e não há mesmo quem não fique engruvinhado.” (Cristovão Tezza – trecho da crônica “Engruvinhado”, publicada na Gazeta do Povo)
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