Crônicas e Contos

Textos de Beto Pacheco
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    outubro 6th, 2009Beto PachecoCrônicas

    por Beto Pacheco

     

    Digamos que o casamento seja liberado aos padres… Já pararam para pensar?

     

    É simples: todo mundo sabe que, mesmo proibidos, alguns padres sempre deram um jeitinho por baixo dos panos – ou das batinas, sei lá. Não podendo casar oficialmente, eles conseguem usufruir sem terem que assumir. Ao liberar o casamento, a Igreja, simplesmente, tornaria a vida deles um inferno.

     

    Imaginem vocês o vigário tendo que explicar para a esposa que, em pleno domingo, tem missa às sete, às dez, almoço na paróquia, encontro de jovens (jovens, sei, sei…), missa às dezenove e que só chegará em casa depois das vinte e duas. É morte na certa. Pior: quem é que faria a extrema-unção do padre finado?

    - Chama o bispo! Chama o bispo!

    - O bispo não pode, teve que ir buscar a sogra na rodoviária.

     

    E a mulher do coitado, fula da vida, só de olho na loira que sempre senta na primeira fila durante a missa. O rapaz lá no altar, trabalhando, concentrado, e a esposa proferindo insultos sobre a sem-vergonha. Quando chega o momento da “paz de cristo”, as duas já estão rolando no chão, descabeladas.

     

    E se a esposa frequentar a mesma paróquia, vai se confessar com o marido?

    - Reze 18 ave-marias, 15 pais-nosso, e tudo ajoelhada no milho!

    - Mas eu não fiz nada, querido!

    - Viu só? É pelo pecado da mentira, meu bem.

     

    Ou então:

    - Padre, eu pequei.

    - Eu sei, minha filha. Agora, fale baixo que a minha mulher pode escutar.

     

    Padre bonitão, então, seria um problema. Teria gente se entregando desde cedo:

    - Quem chegar por último é mulher do padre!

    - Ai! Torci meu tornozelo… Perdi.

     

    Os problemas são infinitos e atingem toda a comunidade. Pense na família do padre. Claro, pois ele também teria filhos. Com as coisas custando os olhos-da-cara, e precisando comprar fralda, leite, remédios, roupinhas, etc., o dízimo certamente seria inflacionado. Não passariam mais cestinhas e, sim, bacias para recolher o dinheiro da comunidade.

     

    E ai de quem não colaborasse…

     

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