Crônicas e Contos
Textos de Beto Pacheco-

por Beto Pacheco
Rei,
que sou,
não perco
meu tempo com
um bando de plebeus.
“Mas, majestade, vos damos
nosso intelecto, amor, obediência e,
também, algumas puxadas em vosso saco,
motivo principal de estarmos próximos ao topo”
Hei, e nós aqui embaixo que trabalhamos e, mesmo
assim, não conseguimos subir, falta puxar uns sacos por aí?
Reclama porque consegue questionar. E nós, cá tão baixos,
mal sabemos escrever. Ditam por nós e apenas assinamos: X
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por Beto Pacheco
Vou-me embora para Tegucigalpa
Lá sou amigo do rei
Ou, se for de mais sorte, dos reis
Pois todos querem ser reis
Sois rei, sois rei, sois rei!
Lá em Tegucigalpa havia aquele que queria mais
E aqueles que não queriam lhe dar mais, mas não queriam menos
Em Tegucigalpa tira-se o rei da cama, ainda de pijamas
E coloca-se outro no trono, sob as barbas de todos
Sois rei, sois rei, sois rei!
Lá, como outrora, exila-se
Dissolvem-se direitos constitucionais
Decreta-se toque de recolher
Cercam-se embaixadas
Proíbem-se entradas
De um lado os que comandam, à força
De outro, os que queriam seguir a comandar
Os vermelhos a reivindicar
Os azuis a criticar
Sois rei, sois rei, sois rei!
Em Tegucigalpa não há democracia
Nem agora, nem antes
Em Tegucigalpa, ser amigo do rei lhe obriga a optar
Por um lado, ou por outro
E qual o certo?
Sois rei, sois rei, sois rei!
Vou-me embora pra Tegucigalpa
Pois a passagem deve estar barata
Quiçá a Gol tenha uma promoção
E, convenhamos, promoção não se joga fora
Mas, pensando bem, por que ir a Tegucigalpa?
Mesmo com passagem barata
Mesmo com consulado ou embaixada
Mesmo de pijama ou alpargata
Mesmo sendo amigo do(s) rei(s)… Sois rei(s)!
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por Beto Pacheco
Agora a pouco, eu estava ouvindo “Feira de Mangaio”. Brejeira e simples como fumo de rolo, arreio e cangalha. Por si só, uma obra que pode representar a música brasileira. Tão direta e certeira que não há quem vá desaprovar. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?
De autoria de Sivuca, ela representa sabores tão nacionais como o de Bolo de milho, broa e cocada. Sua escala é adocicada e provocante como um pé-de-moleque. A harmonia é inesperada como o casamento entre o alecrim e a canela. Mas que dá certo como se fossem almas prometidas. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?
Consigo imaginar o autor matutando, inspirado e iluminado… Mas a moldando sem sofrimento, sem pressa ou pesar. Só tendo que espantar, vez ou outra, aquele moleque que não o deixa trabalhar. O nome do dito era Zé, que saiu correndo pra feira de pássaros. Sabem o que aconteceu? Foi pássaro voando em todo lugar.
O velho compositor, com suas barbas e cabelos alvos, pensou: lá também tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar. E que cidade neste país-de-meu-Deus não tem? Onde se toma uma bicada daquelas com lambu assado e fica-se, deliciado, a olhar para Maria do Joá.
De tudo se encontra nessa feira e nessa música. Foles, baixos e teclas ritmados. Guiados de forma esmerada como se por cabresto de cavalo e rabichola. Um talento nordestino, intuitivo e brasileiro. Como também são farinha, rapadura e graviola. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?
Lembra do pavio de candeeiro e da panela de barro? Pois há de ter lá. Os encontrará no último momento, se precisar. E aquele jovem, talvez Zé, talvez irmão de Joá, receberá o singelo recado: Menino vou me embora, tenho que voltar. Xaxar o meu roçado, que nem boi de carro. Tudo porque a música está a se acabar.
Mas tu, como eu, como Sivuca, como o rapaz ou qualquer outro não há de querer a abandonar. Sua alpargata de arrasto não quer te levar. Só (e ainda diz só!) porque tem um sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar. Um dançar acochado, daqueles que faz suar o corpo e o espírito. Ao lado também está Zefa de Purcina fazendo renda. Mas o que nos prende mesmo é o ronco do fole tocando sem parar.
(ouça a música no post abaixo)
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setembro 22nd, 2009Crônicas, Dicas de Música, PoesiasSivuca e Clara Nunes. Composição de Sivuca (”eita sanfoneiro da gota serena!”)
Leia a crônica/ode a essa música clicando aqui
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por Beto Pacheco
Curitiba anda…
De risco
Suspeita
Confirmada
Vítima
Curitiba anda…
Com gripe
Com medo da gripe
Falando da gripe
Falando apenas da gripe
Curitiba anda…
Paranóica
Úmida
Molhada
Encharcada
Curitiba anda…
Cinza
Fria
Gelada
Congelada
Curitiba anda…
Encolhida
Entocada
Amedrontada
Preguiçosa
Curitiba anda…
Lenta
Mórbida
Emburrada
Mascarada
Curitiba anda…
Acobertada
Sonolenta
Azeda
Amarga
Curitiba anda solitária
Curitiba anda enjoada
Curitiba anda entediada
Curitiba anda fechada
Curitiba quer…
Sol, calor, cor, sabor
Vermelho, laranja, manga
Bermuda, chinelo, sem manga
Churrasco, caipirinha, piscina
Parque, pássaros, cascata
Correria, bola, sorvete
Cumprimento, abraço, beijo, suor, amor…
Curitiba quer se abrir
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Tags: Comportamento, Cotidiano, Curitiba, Sociedade


