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Vou-me embora para Tegucigalpa
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por Beto Pacheco
Vou-me embora para Tegucigalpa
Lá sou amigo do rei
Ou, se for de mais sorte, dos reis
Pois todos querem ser reis
Sois rei, sois rei, sois rei!
Lá em Tegucigalpa havia aquele que queria mais
E aqueles que não queriam lhe dar mais, mas não queriam menos
Em Tegucigalpa tira-se o rei da cama, ainda de pijamas
E coloca-se outro no trono, sob as barbas de todos
Sois rei, sois rei, sois rei!
Lá, como outrora, exila-se
Dissolvem-se direitos constitucionais
Decreta-se toque de recolher
Cercam-se embaixadas
Proíbem-se entradas
De um lado os que comandam, à força
De outro, os que queriam seguir a comandar
Os vermelhos a reivindicar
Os azuis a criticar
Sois rei, sois rei, sois rei!
Em Tegucigalpa não há democracia
Nem agora, nem antes
Em Tegucigalpa, ser amigo do rei lhe obriga a optar
Por um lado, ou por outro
E qual o certo?
Sois rei, sois rei, sois rei!
Vou-me embora pra Tegucigalpa
Pois a passagem deve estar barata
Quiçá a Gol tenha uma promoção
E, convenhamos, promoção não se joga fora
Mas, pensando bem, por que ir a Tegucigalpa?
Mesmo com passagem barata
Mesmo com consulado ou embaixada
Mesmo de pijama ou alpargata
Mesmo sendo amigo do(s) rei(s)… Sois rei(s)!
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Tags: Crise, Democracia, Diplomacia, Ditadura, Honduras, Manoel Bandeira, Mundo, Paráfrase, Política, Tegucigalpa

